Como construir um texto dissertativo

Procedimentos Básicos


01. Interpretação do tema


Devemos interpretar cuidadosamente o tema proposto, pois a fuga total a este
implica zerar a prova de redação;


02. Levantamento de idéias


A melhor maneira de levantar idéias sobre o tema é a auto-indagação;


03. Construção do rascunho


Construa o rascunho sem se preocupar com a forma. Priorize, nesta etapa, o
conteúdo;


04. Pequeno intervalo


Suspenda a atividade redacional por alguns instantes e ocupe-se com outras
provas, para que possa desviar um pouco a atenção do texto; evitando, assim, que
determinados erros passem despercebidos;


05. Revisão e acabamento


Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções;


06. Versão definitiva


Agora passe a limpo para a versão definitiva, com calma e muito cuidado!


07. Elaboração do título


O título deve ser urna frase curta condizente com a essência do tema.


Orientação para Elaborar uma Dissertação



  • Seu texto deve apresentar tese, desenvolvimento (exposição/argumentação)
    e conclusão.

  • Não se inclua na redação, não cite fatos de sua vida particular, nem
    utilize o ainda na 1ª pessoa do plural.

    Seu texto pode ser expositivo ou argumentativo (ou ainda expositivo e
    argumentativo). As idéias-núcleo devem ser bem desenvolvidas, bem
    fundamentadas.

  • Redija na 1ª pessoa do singular ou do plural, ou fundamentadas. Evite
    que seu texto expositivo ou argumentativo seja urna seqüência de afirmações
    vagas, sem justificativa, evidências ou exemplificação..

  • Atente para as expressões vagas ou significado amplo e sua adequada
    contextualização. Ex.: conceitos como “certo”, “errado”, “democracia”,
    “justiça”, “liberdade”, “felicidade” etc.

  • Evite expressões como “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”,
    “triste”,“pobre”, “rico” etc.; são juízos de valor sem carga informativa,
    imprecisos e

    subjetivos.

  • Fuja do lugar-comum, frases feitas e expressões cristalizadas: “a pureza
    das crianças”, “a sabedoria dos velhos”. A palavra “coisa”, gírias e vícios
    da linguagem oral devem ser evitados, bem como o uso de “etc.” e as
    abreviações.

  • Não se usam entre aspas palavras estrangeiras com correspondência na
    língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.

  • Não construa frases embromatórias. Verifique se as palavras empregadas
    são fundamentais e informativas.

  • Observe se não há repetição de idéias, falta de clareza, construções sem
    nexo (conjunções mal empregadas), falta de concatenação de idéias nas frases
    e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.

  • Caso você tenha feito uma pergunta na tese ou no corpo do texto,
    verifique se a argumentação responde à pergunta. Se você eventualmente
    encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente
    empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago,
    a interrogação será retórica e vazia.

  • Verifique se os argumentos são convincentes: fatos notórios ou
    históricos, conhecimentos geográficos, cifras aproximadas, pesquisas e
    informações adquiridas através de leituras e fontes culturais diversas.

  • Se considerarmos que a redação apresenta entre 20 e 30 linhas, cada
    parágrafo pode ser desenvolvido entre 3 e 6 linhas. Você deve ser flexível
    nesse número, em razão do tamanho da letra ou da continuidade de raciocínio
    elaborado. Observe no seu texto os parágrafos prolixos ou muito curtos, bem
    corno os períodos muito fragmentados, que resultam numa construção primária.


Seguem alguns modelos



TEMA: “DENÚNCIAS, ESCÂNDALOS, CASOS ILÍCITOS NA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE... ISSO É O QUE OCORRE NO
BRASIL HOJE.”

Uma nova ordem


Nunca foi tão importante no País uma cruzada pela moralidade. As
denúncias que se sucedem, os escândalos que se multiplicam, os casos
ilícitos que ocorrem em diversos níveis da administração pública exibem, de
forma veemente, a profunda crise moral por que passa o País.


O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem
símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o
sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela
expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis,
acabam comprometendo seus programas de gestão.


Para complicar, ainda estamos no meio de uma recessão que tem jogado
milhares de trabalhadores na rua, ampliando os bolsões de insatisfação e
amargura.


Não é de estranhar que parcelas imensas do eleitorado, em protesto contra
o que vêem e sentem, procurem manifestar sua posição com o voto nulo, a
abstenção ou o voto em branco. Convenhamos, nenhuma democracia floresce
dessa maneira.


A atitude de inércia e apatia dos homens que têm responsabilidade pública
os condenará ao castigo da história. É possível fazer-se algo, de imediato,
que possa acender uma pequena chama de esperança.


O Brasil dos grandes valores, das grandes idéias, da fé e da crença, da
esperança e do futuro necessita, urgentemente da ação solidária, tanto das
autoridades quanto do cidadão comum, para instaurar uma nova ordem na ética
e na moral.


Carlos Apolinário, adaptado


Comentário:


O primeiro parágrafo constitui a introdução do texto (tese).

Os parágrafos segundo, terceiro e quarto constituem o desenvolvimento
(argumentação — exemplificação com análise e crítica).

O último parágrafo é a conclusão (perspectiva de solução).





TEMA:

Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena

(Fernando Pessoa)

Sonhar é preciso

“Nós somos do tamanho dos nossos sonhos. Há, em cada ser humano, um
sebastianista louco, vislumbrando o Quinto Império; um navegador ancorado no
cais, a idealizar ‘mares nunca dantes navegados’; e um obscuro D. Quixote de
alma grande que, mesmo amesquinhado pelo atrito da hora áspera do presente,
investe contra seus inimigos intemporais: o derrotismo, a indiferença e o
tédio.


Sufocado pelo peso de todos os determinismos e pela dura rotina do
pão-nosso-de-cada-dia, há em cada homem um sentido épico da existência, que
se recusa a morrer, mesmo banalizado, manipulado pelos veículos de massa e
domesticado pela vida moderna.


É preciso agora resgatar esse idealista que ocultamente somos, mesmo que
D. Sebastião não volte, ainda que nossos barcos não cheguem a parte alguma,
apesar de não existirem sequer moinhos de vento.


Senão teremos matado definitivamente o santo e o louco que são o melhor
de nós mesmos; senão teremos abdicado dos sonhos da infância e do fogo da
juventude; senão teremos demitido nossas esperanças.


O homem livre num universo sem fronteiras. O nordeste brasileiro verde e
pequenos nordestinos, ri sonhos e saudáveis, soletrando o abecedário. Um
passeio a pé pela cidade calma. Pequenos judeus, árabes e cristãos,
brincando de roda em Beirute ou na Palestina.


E os vestibulandos, todos, de um país chamado Brasil, convocados a darem
o melhor de si no curso superior que escolheram.


Utopias? Talvez sonhos irrealizáveis de algum poeta menor, mas convicto
de que nada vale a pena, se a alma é mesquinha e pequena.”


Comentário:


A introdução encontra-se no 1° parágrafo, que faz uma espécie de síntese do
texto, funcionando como uma espécie de índice das idéias e elementos que
aparecerão no desenvolvimento (sebastianista, o navegador, o D. Quixote).


O desenvolvimento está nos cinco parágrafos seguintes, que retomam e explicam
cada uma das idéias e elementos apresentados no inicio.


A conclusão realiza-se no último parágrafo, reafirmando a tese de que somos
do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas por nossos ideais, sem os quais a
alma seria mesquinha e pequena (e a vida não valeria a pena).



TEMA: “À busca do Brasil de nossos sonhos, travar-se-á uma
longa jornada.”

Em busca do Brasil de nossos sonhos


Utopia, talvez seja este o termo que resuma os anseios de um povo que, há
mais de quatro séculos, alimenta esperanças de ver seu país constituir-se em
um Estado forte e humanitário.


Transformações drásticas e rápidas não correspondem ao caminho a se
seguir que será árduo e penoso, entretanto os júbilos alcançados serão tão
doces e temos que terão valido cada gota de sangue e suor derramado.


Muitos são os problemas (corrupção, injustiça, desigualdades...) e suas
soluções existem, só não fazem parte do plano político-econômico e social a
ser seguido, pois este não há. Generalizar chega a ser infantil e prematuro,
mas atualmente não se tem tido conhecimento sobre uma reforma concreta e
séria que vise à melhoria de vida da população e que não esteja
“engavetada”, ainda em “processo de viabilização”, tal como as reformas
agrária e tributária, por exemplo. A justiça no Brasil, além de paradoxal,
vem a ser ilusória.


Diversidade de solos, climas, costumes, gente, vários povos misturados em
um só, tantos méritos e nenhuma vitória que não tenha sido mais do que
temporária. O amor à pátria a cada dia fica mais frágil quando deveria se
fortalecer, então o que fazer?


Lutar, não travando guerras ou impondo violência. Reivindicar direitos e
estipular deveres requer sabedoria, a liberdade de expressão foi conquistada
com muito esforço e perseverança por brasileiros que queriam gritar e não se
calar diante da destruição lenta e contínua de seu país.


Valorizas o nosso e melhorar o Brasil depende não da vontade de cada um,
isoladamente, mas sim do desejo de todos, afinal são mais de cento e trinta
milhões de pessoas com interesses diversos ocupando um mesmo país, e muitas
querem vê-lo progredir, no entanto como isso será possível? Optando por um
nacionalismo extremado? Talvez. Para haver mudanças é preciso que se queira
mudar, um Estado politicamente organizado, quem sabe, este Estado: o Brasil.


Tatiana R. Batista




 

Como melhorar o Brasil


“E nas terras copiosas, que lhes denegavam as promessas visionadas,
goravam seus sonhos de redenção”. Com estas palavras José Américo de
Almeida, em seu livro “A Bagaceira”, conseguiu caracterizar um Brasil que,
há quinhentos anos, mantém-se o mesmo: injusto e desigual.


Fome e miséria em meio à fartura e pujança, descontentamento e inércia
presentes em um mesmo povo. Tantas contradições advêm de um processo
histórico embasado em inserir o Brasil no contexto sócio-econômico mundial
como um Estado dependente economicamente, subdesenvolvido tecnologicamente,
sendo por isso frágil perante a soberania de um sem-número de países que
desde sempre deteve o controle supremo de o quê, e como tudo deve ser
direcionado.


De colônia à república, sendo monarquia ou não, a aristocracia se mantém
presente, forte e imponente, segura habilidosamente “as rédeas” deste “carro
desgovernado” chamado, anteriormente, de Terra brasilis. É estranho pensar
que um vasto território, em que se afirma vigorar o “governo de todos e para
todos” pertença na realidade a um restrito grupo que não deseja alterações
de qualquer tipo, por considerar a atual situação do Brasil ideal. O ideal
seria desconsiderar tais argumentos, sendo estes inválidos e inadmissíveis,
uma vez que altos níveis de desemprego, corrupção, carência nos diversos
setores públicos..., não correspondem ao que se espera para haver uma
elevação no padrão de desenvolvimento de um país.


A globalização, tão comentada em todo o mundo, só ratifica ainda mais um
processo que, aos olhos de todos, parece inevitável: a colonização do mundo,
a preponderância de uns poucos Estados politicamente organizados sobre o
resto do planeta. O Brasil virando colônia, principalmente, dos Estados
Unidos da América. A submissão completa.


Deste ponto de vista (que pode ser o único), a situação se apresenta de
forma grave. Alarmante, porém é a falta de soluções.


Pior, talvez seja a falta de interesse em mudanças. Já foram privatizadas
a (Companhia Vale do Rio Doce, a Siderúrgica Nacional, logo em breve a
Petrobrás e o Banco do Brasil, símbolos da soberania nacional. Vivemos em um
mesmo espaço o qual cada vez mais deixa de nos pertencer, estamos
enfraquecidos, o nacionalismo se enfraquece se a nação única deixa de
existir. Não se pode afirmar que uma atitude revolucionária seja o melhor
caminho ou o caminho certo, no entanto a passividade neurastênica da
população jamais resolverá nada. O exercício da cidadania é necessária para
implantar a verdadeira cidadania. Consciência política e senso de justiça o
pior obstáculo a ser contornado é a alienação, conseqüência da ignorância
que cerca a maior parte da população, sem acesso à cultura.


O primeiro passo já foi dado: conhecer os problemas e, mesmo que
superficialmente, pensar a respeito. Ufanismo, utopia, sonho, perseverança e
luta. A coragem precisa de esperança, o homem precisa de ambas para
sobreviver e lutar. Se o povo brasileiro é naturalmente corajoso, lutemos
agora para seguir em frente e firmar este país como soberano e forte que é.


Tatiana R. Batista




 

A corrupção no Brasil


Durante todo o processo de formação cultural do povo brasileiro, o
trabalho nunca foi considerado uma atividade digna, a riqueza, mesmo ilícita
era a grande nobreza e a comprovação da superioridade.


No período colonial, o trabalho para o português recém-chegado toma-se um
ato ignóbil, explorar o bugre e o negro é a maneira de se viver numa terra
nova, onde a “esperteza” de sempre tirar lucros e ganhar, mesmo através da
trapaça, é considerada uma virtude.

No império e na república oligárquica, a história se repete e sempre está a
favor de uma aristocracia, que desrespeita a condição humana, com suas
atitudes nepóticas e de extrema fraternalidade entre os iguais mineiros e
paulistas.


Nos períodos seguintes, a rede de corruptos se mostra e toma contorno
urbanos, onde a população adquire maior intelectualidade e passa a exigir um
maior respeito e que pelo menos se disfarcem os roubos contra nossa
população de miseráveis e condicionados.


Já cansada pelos quinhentos anos de “falcatruas” justificadas e pela
explosão de novas “bombas”, a cada dia a população apercebe-se. em fim, do
maquiavelismo político e rejeita as soluções prontas e maternais da pátria
mãe gentil.


Esperamos que, nos próximos anos, a política brasileira tome-se mais
séria, rejeite o dito maquiavélico e trate o trabalho como um meio de
ascensão e de dignificação do homem e não como um ato oprobriante.


Tiago Barbosa



FONTE:ALGOSOBRE

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