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Questões - Direito Administrativo


Direito Administrativo

1. O diretor-geral de determinado órgão público federal exarou despacho concessivo de aposentadoria a um servidor em cuja contagem do tempo de serviço fora utilizada certidão de tempo de contribuição do INSS, falsificada pelo próprio beneficiário. Descoberta a fraude alguns meses mais tarde, a referida autoridade tornou sem efeito o ato de aposentadoria. Na situação hipotética considerada, o princípio administrativo aplicável ao ato que tornou sem efeito o ato de aposentadoria praticado é o da:
A autotutela.

2. Não constitui característica do poder de polícia a:
A auto-executoriedade.
B coercibilidade.
C facticidade.
D discricionariedade.

3. Assinale a opção correta quanto aos poderes e deveres dos administradores públicos.
A) O poder de delegação e o de avocação decorrem do poder hierárquico.

4. Encontra-se sedimentado o entendimento de que ao Poder Judiciário é defeso (PROIBIDO) apreciar o mérito dos atos administrativos, limitando sua atuação quanto à aferição dos aspectos relativos à sua legalidade. A esse respeito, assinale a opção correta.
D) Não há discricionariedade contra legem.

5. Considerando que há evidentes elementos de identidade entre ato jurídico e ato administrativo, e que este é espécie do gênero ato jurídico, assinale a opção correta.
A)Existem atos praticados pelos administradores públicos que não se enquadram como atos administrativos típicos, como é o caso dos contratos disciplinados pelo direito privado.

6. É a qualidade pela qual os atos administrativos se impõem a terceiros, independentemente de sua concordância. Decorre do que Renato Alessi chama de “poder extroverso”, que permite ao poder público editar provimentos que vão além da esfera jurídica do sujeito emitente, ou seja, que interferem na esfera jurídica de outras pessoas, constituindo-as unilateralmente em obrigações. Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo. 13.ª ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 373 (com adaptações). O
texto acima descreve o seguinte atributo do ato administrativo:
D) imperatividade.

7. Acerca das entidades paraestatais e do terceiro setor, assinale a opção correta.
D) As organizações da sociedade civil de interesse público celebram contrato de gestão, ao passo que as organizações sociais celebram termo de parceria.

8. Acerca da organização administrativa, assinale a opção correta.
C) As organizações sociais integram a administração indireta.

9. De acordo com o art. 121 da Lei n.º 8.112/1990, o “servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições”. Considerando esse comando legal, assinale a opção correta.

D) O Estatuto do Servidor Público Federal prevê que as sanções penais, cíveis e administrativas podem ser cumuladas.

10. A Constituição Federal de 1988, como regra geral, não permite a acumulação de cargos públicos. Como exceção, a Constituição admite acumulações, desde que haja compatibilidade de horários. Com relação a esse assunto, assinale a opção que apresenta um caso para o qual há permissão constitucional de acumulação de cargos públicos, desde que haja compatibilidade de horários.
D) dois cargos de professor e um de advogado

11 O prazo de validade estabelecido na Constituição Federal para os concursos públicos é de até
A três anos, prorrogável uma vez, por igual período.
B dois anos, improrrogável.
C três anos, improrrogável.
D dois anos, prorrogável uma vez, por igual período.

12. Assinale a opção em que todos os bens sejam considerados de uso comum do povo.
B) mares, estradas e praças

13. Assinale a opção correta no que se refere à responsabilidade civil do
Estado.
B) A teoria da responsabilidade objetiva aplica-se, de forma genérica, aos danos que o Estado causa, tanto por ação quanto por omissão, a particulares.

14. Quanto à responsabilidade extracontratual do Estado, assinale a opção correta.
B) A vítima de dano causado por ato comissivo deve ingressar com ação de indenização por responsabilidade
objetiva contra o servidor público que praticou o ato.

15. Considerando a responsabilidade civil do Estado e o controle judicial, assinalea opção correta.
D) Na ação de responsabilidade objetiva do Estado, conforme entendimento predominante no STJ, será obrigatória a denunciação à lide do servidor causador do dano.

16. A respeito dos contratos administrativos, assinale a opção correta.
C) A administração pode alterar, de forma unilateral, os contratos que celebrar. No entanto, no que se refere à alteração quantitativa, a lei estabelece, como limite para os acréscimos e supressões nas obras, serviços ou compras, o percentual de 50% em relação ao valor original do contrato.

17. Quanto às licitações, assinale a opção correta.
D) É dispensável a licitação na hipótese de celebração de contrato de programa entre entes da Federação ou com entidades da administração indireta, para a prestação de serviços públicos de forma associada nos termos do autorizado em contrato de consórcio público ou em convênio de cooperação.

18. No que se refere às licitações, assinale a opção correta.
A) Na modalidade pregão, os autores das cinco melhores propostas têm a possibilidade imediata de fazerem novos lances verbais e sucessivos, de forma a possibilitar a obtenção da proposta mais vantajosa.

Texto para as PRÓXIMAS DUAS QUESTÕES.
A Lei n.º 8.666, de 21 de junho de 1993, conhecida como Lei de Licitações e Contratos Administrativos,
estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos estados,
do Distrito Federal e dos municípios.
Estão subordinados ao regime dessa Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais,
as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, estados, Distrito Federal e municípios.

19.Assinale a opção que não corresponde a modalidade de licitação definida pela
Lei n.º 8.666/93.
A) concorrência

20. Na hipótese de um órgão da administração pública resolver contratar um artista popular de grande sucesso para as festas de final de ano, essa contratação deve ser precedida de
B) ato de inexigibilidade de licitação, por inviabilidade de competição.

21. Na execução dos contratos administrativos, a teoria da imprevisão ocupa-se de eventos extraordinários, imprevistos e imprevisíveis, onerosos, retardadores ou impeditivos à conclusão do objeto pactuado. Quando isso ocorre, a parte atingida fica liberada dos encargos originários e o contrato há de ser revisto ou rescindido. No caso dos contratos administrativos, quando há determinação estatal, positiva ou negativa, geral, imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do contrato administrativo, é correto afirmar que houve
A) força maior.

22. A campanha de prevenção à dengue desenvolvida em todo o território nacional pelo Ministério da Saúde, inclusive com a utilização dos populares fumacês, pode ser classificada como serviço público.
B) uti singuli.

23. No que concerne ao TCU, assinale a opção correta.
D) O Poder Judiciário não pode anular as decisões do TCU, sob pena de violação do princípio da separação dos poderes.

24. As modalidades de licitação previstas na Lei n.º 8.666/1993 não incluem:
a) leilão.






25. Com base nas modalidades de licitação previstas na Lei n.º 8.666/1993, julgue
os itens abaixo.

II Concorrência é a modalidade de licitação que permite a participação de interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para a execução de seu objeto.

IV Tomada de preços é a modalidade de licitação realizada entre interessados devidamente cadastrados ou que preencham os requisitos para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação. Estão certos apenas os itens
c) II e IV.


26. Suponha que um servidor tenha sido absolvido na instância penal em razão de ter ficado provada a inexistência do ato ilícito que lhe fora atribuído. Nessa situação,
a) a decisão absolutória não influirá na decisão administrativa se, além da conduta penal imputada, houver a configuração de ilícito administrativo naquilo que a doutrina denomina de conduta residual.

27. No que concerne às responsabilidades do servidor público, assinale a opção INCORRETA.
A) Tais responsabilidades podem ser do tipo civil, penal e administrativo.
B) As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se.
C) A responsabilidade civil do servidor público é objetiva.
D) A responsabilidade administrativa do servidor público será afastada em caso de absolvição criminal que negue
a existência do fato ou de sua autoria.

28. A modalidade de intervenção estatal que gera a transferência da propriedade de seu dono para o Estado é
B) a servidão administrativa.

29. Assinale a opção correta a respeito da organização da administração pública federal.
C) As sociedades de economia mista têm patrimônio próprio e capital exclusivo da União, destinando-se à exploração de atividade econômica que o governo seja levado a exercer por força de contingência ou conveniência administrativa.

30. No que se refere aos poderes dos administradores públicos, assinale a opção correta.
B) Uma autarquia ou uma empresa pública estadual está ligada a um estado-membro por uma relação de subordinação decorrente da hierarquia.

31. Assinale a opção correta acerca dos princípios da administração pública.
A) O princípio da eficiência não constava expressamente do texto original da CF, tendo sido inserido posteriormente, por meio de emenda constitucional.

32. Considerando os princípios da administração pública, assinale a opção correta.
B) Com base no princípio da segurança jurídica, o ordenamento jurídico em vigor veda, no âmbito da União, a aplicação retroativa de nova interpretação jurídica dada pela administração ao mesmo dispositivo legal.

PODER POLÍCIA


PODER POLÍCIA
CONCEITO LEGAL DE PODER DE POLÍCIA:
“CTN, Art. 78 - Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.”
CONCEITO DOUTRINÁRIO:
Pode ser conceituado poder de polícia como "a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado." (MEIRELLES, Hely. Direito Administrativo Brasileiro. 33ª edição. São Paulo: Malheiros, 2007, pág. 131.)
CONCEITO MAIS SUCINTO:
Poder de Polícia é a atividade do Estado que limita os direitos individuais em benefício do interesse público.
CARACTERISTICAS
O poder de polícia tem como características a discricionariedade, a auto-executoriedade e a coercibilidade.
A DISCRICIONARIEDADE é o poder que a polícia administrativa tem de escolher, dentro dos limites legais, por critérios de conveniência e oportunidade, o ato a ser praticado.
A AUTO-EXECUTORIEDADE "consiste na possibilidade que certos atos administrativos ensejam de imediata e direta execução pela própria administração, independentemente de ordem judicial."(MEIRELLES, 2007, pág. 162.)
A COERCIBILIDADE é atributo pelo qual a Administração impõe ao administrado as medidas adotadas, sem necessidade de autorização judicial, podendo até mesmo utilizar-se de força.
SERVIÇO PÚBLICO X PODER DE POLÍCIA
Os serviços públicos se caracterizam por prestações, nas quais o Estado toma para si o encargo de satisfazer determinadas necessidades, titularizando competência para prestá-los. 
Já o poder de polícia se caracteriza por prescrições, em que o Estado regulamenta atividades privadas por meio de normas gerais, restringindo direitos e liberdades dos particulares.
POLÍCIA ADMINISTRATIVA E POLÍCIA JUDICIÁRIA
A polícia administrativa ou PODER DE POLÍCIA RESTRINGE o exercício de atividades LÍCITAS, RECONHECIDAS pelo ordenamento como direitos dos particulares, isolados ou em grupos. DIVERSAMENTE, a POLICIA JUDICIÁRIA visa a IMPEDIR o exercício de atividade ILÍCITAS, VEDADAS pelo ordenamento, a policia judiciaria auxilia o Estado e o Poder Judiciário na prevenção e repressão de delitos; e auxilia o judiciário no cumprimento de suas sentenças ( art. 144 CF).
FUNDAMENTOS E FINALIDADES
A finalidade do exercício do poder de polícia é a manutenção de condições essenciais a uma vida social adequada e pacífica.  Além dos aspectos clássicos da segurança dos bens e das pessoas, da salubridade e da tranquilidade, abarca também aspectos econômicos (contra alta absurda de preços, ocultação de gêneros alimentícios), ambientais (combate à poluição) e até estéticos (proteção de monumentos e paisagens).
A ordem pública como fundamento do exercício do poder de polícia, identifica-se com o interesse público e diz respeito à custódia de qualquer tipo de bem ou interesse de todos ante o indivíduo ou grupo restrito de indivíduos.
Aos fundamentos teóricos se somam as bases legais: o exercício do poder de polícia deve ter respaldo legal.
REGIME JURÍDICO GERAL
Aspectos relevantes.
a) Poder de polícia é atuação administrativa sujeita ao direito publico, precipuamente.
b) É regido pelos princípios constitucionais que norteiam a Administração genericamente: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Publicidade.
Inclui-se na legalidade a observância das normas relativas à competência para exercer o poder de polícia na matéria e no âmbito territorial sobre os quais incide.
c) Atende à regra do favor libertatis ou pro libertate, pois o regime de policia não pode significar proibição geral e absoluta, que impediria o exercício efetivo do direito. Por outro lado, a regra obriga a resolver em favor da liberdade qualquer dúvida sobre a maior ou menor extensão das medidas ou sobre a possibilidade da medida limitativa.
d) Nem sempre a medida relativa ao poder de polícia decorre do exercício do poder discricionário. Às vezes, a Administração somente dá concreção a dispositivos de lei, por exemplo, do Código de obras e Edificações - fiscaliza seu cumprimento e impõe as respectivas sanções, sem margem de escolha.
e) A limitação decorrente do poder de polícia deve ser motivada.
f) José Afonso da Silva chama a atenção para um elemento fundamental ao exercício do poder de polícia, mencionado no parágrafo único do art. 78 do Código Tributário Nacional: a observância do processo legal.
CAMPO DE ATUAÇÃO
O âmbito de incidência do poder de polícia mostra-se bem AMPLO: vai desde os aspectos clássicos da segurança de pessoas e bens, saúde e tranquilidade pública, até a preservação da qualidade do meio ambiente natural e cultural, o combate ao abuso do poder econômico, a preservação do abastecimento de gêneros alimentícios.
MANIFESTAÇÃO DO PODER DE POLÍCIA
Modos pelos quais a Administração expressa o poder de polícia.
Com respaldo legal, a Administração pode editar decretos (ato administrativo da competência do Chefe do Executivo), regulamentares ou não, resoluções, deliberações (órgãos colegiados), portarias, instruções, despachos.
Associadas ao exercício do poder de polícia estão a licença e a autorização.
A LICENÇA É O ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO pelo qual o poder público, verificando que o interessado atendeu a todas as exigências legais, possibilita-lhe a realização de atividades ou de fatos materiais, vedados sem tal apreciação. A licença supõe apreciação do poder público no tocante ao exercício de direito que o ordenamento reconhece ao interessado; por isso não pode ser negada quando o requerente atende a todos os requisitos legais para sua obtenção.
Uma vez expedida, traz o pressuposto da definitividade, embora possa estar sujeita a prazo de validade e possa ser anulada ante ilegalidade superveniente.
A licença se desfaz, ainda, por CASSAÇÃO, quando o particular descumprir requisitos para o exercício da atividade, e por REVOGAÇÃO, se advier motivo de interesse público que exija a não realização da atividade licenciada, cabendo, neste caso, indenização ao particular. A licença se exterioriza em documento denominado "alvará". Exemplos de licença: licença de construir, licença ambiental, licença de localização e funcionamento.
A AUTORIZAÇÃO apresenta-se como ato administrativo DISCRICIONÁRIO E PRECÁRIO, pelo qual a Administração consente no exercício de certa atividade; portanto, inexiste direito subjetivo à atividade. No âmbito do poder de polícia, diz respeito ao exercício de atividades cujo livre exercício pode, em muitos casos, constituir perigo ou dano para a coletividade, mas que não é oportuno impedir de modo absoluto; por isso, a modalidade administrativa tem a faculdade de examinar, caso a caso, as circunstancias de fato em que o exercício pode se desenvolver, a fim de apreciar a conveniência e oportunidade da outorga.
Exemplos mais comuns: PORTE DE ARMA, comércio de fogos. De regra, a autorização se expressa por escrito, de modo explícito. Pode-se, porém, cogitar de autorização implícita, no caso em que se exige para o exercício da atividade, comunicação prévia à autoridade administrativa: a não oposição desta equivaleria a uma autorização implícita. Se a autoridade considerar que há perigo na atividade, manifesta-se, de modo explícito, em sentido contrário. A condição ao exercício da atividade encontra-se, então, na comunicação prévia. Exemplo: direito de reunião, sem armas, pacificamente, em locais abertos, independentemente de autorização, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente ( CF, art. 5º, XVI).
Atividades materiais realizadas pela Administração também expressam o poder de polícia. Na fiscalização incluem-se: a observação ( ou vigilância observadora), a inspeção, a vistoria, os exames laboratoriais. Na imposição de sanções salientam-se: fechamento de estabelecimento (aposição de lacre),demolição de obras, demolição de edificações, apreensão de mercadoria, guinchamento de veículo.
LIMITES
O exercício do poder de policia encontra limites. O primeiro situa-se nos próprios direitos fundamentais declarados e assegurados pela CF. O poder de polícia pode acarretar disciplina e restrições ao exercício de um direito fundamental, em benefício do interesse público. Ao mesmo tempo, o reconhecimento de direitos fundamentais configura limite ao poder de polícia; os direitos fundamentais não podem ser suprimidos. Nem sempre apresenta-se fácil situar o ponto onde começa a violação dos direitos fundamentais do poder de polícia.
No tocante aos direitos fundamentais, algumas hipótese emergem.
a) Existe lei disciplinadora do direito fundamental. Neste caso, o poder de polícia é limitado pelos preceitos da lei, não se admitindo prescrição mais rigorosas que a da lei: as restrições da lei devem ser interpretadas de modo restrito, isto é, no sentido mais favorável ao exercício do direito. Por vezes a lei confere à autoridade administrativa a faculdade de agravar disposições da lei, em casos especiais, mas sempre de modo temporário.
b) Inexiste lei disciplinadora do direito fundamental. Neste caso, observadas as regras de competência, a medida de polícia, sempre fundamentada no interesse público, deve ser: b1) necessária, isto é, exigida ante as circunstâncias, para evitar conflitos, desordens, perigos è integridade de pessoas e bens; b2) eficaz, isto é, adequada para evitar perturbações; b3)proporcional à gravidade da possível perturbação; por exemplo: em locais de grande afluxo de pessoas são impostas restrições mais amplas que em locais sem nenhum afluxo de pessoas. Em geral, medidas temporárias podem ser mais rigorosas que medidas gerais e permanentes.
Outro limite ao poder de polícia encontra-se na legalidade dos meios. Os meios e modos de exercício do poder de polícia devem estar previstos legalmente. Na ausência de norma, a autoridade competente escolhe os meios, observados os princípios e limites já apontados.
Aparecem, ainda, como limites ao poder de polícia as regras de competência, FORMA, MOTIVO ( sobretudo, existência dos fatos invocados e base legal) e o fim de interesse público; caso o poder de polícia seja exercido para fins pessoais, subjetivos ou político-partidários, poderá ser caracterizado o desvio de poder ou finalidade.
SANÇÕES DECORRENTES DO PODER DE POLÍCIA
As medidas resultantes do poder de polícia exigem observância por parte dos sujeitos a que IMPÕE RESTRIÇÕES em seus direitos: tais medidas podem implicar obrigações de fazer ou de se abster. O descumprimento de tais prescrições enseja, para o agente, a possibilidade de impor sanções.
A imposição de sanções norteia-se pela legalidade das medidas punitivas, descabendo à autoridade "inventá-las". O requisito de competência também prevalece. Além do mais, deve ser assegurado, ao sujeito, contraditório e ampla defesa, por força da CF, art. 5º, LV. No caso das multas de trânsito, a existência de prazo suficiente para recorrer e ter o recurso apreciado, antes do vencimento, atende a essas garantias, pois o efeito patrimonial se concretiza no pagamento.
DENTRE AS SANÇÕES, citem-se: as formais - cassação de licença, revogação de autorização; as pessoais - quarentena; as reais (atuação sobre coisas, tolhendo sua disponibilidade) - apreensão e destruição de gêneros alimentícios deteriorados, apreensão de armas e instrumentos usados na caça e pesca proibidas, guinchamento de veículos; as pecuniárias - multa única e multa diária; impedimentos temporários ou definitivos de exercícios de atividades - suspensão de atividade, interdição de atividades, fechamento de estabelecimento, embargo de obras, demolição de obra, demolição de edificações.
PRESCRIÇÃO DA AÇÃO PUNITIVA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL
A ação punitiva da Administração Pública Federal direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, prescreve em CINCO ANOS, a contar da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do DIA EM QUE TIVER CESSADO. Esse prazo prescricional figura na Lei 9.873/99 ( art. 1º, caput).
 “Art. 1o  Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado.”
Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal (art. 1º.,§ 2º., da mesma lei.
“§ 2o  Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal.”
INTERROMPE-SE A PRESCRIÇÃO: I - pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II - por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; III - pela decisão condenatória recorrível (art. 2º.); IV - por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administração pública Federal ( art. 2º, cujo item IV decorre da Lei 11.941/09.
Suspende-se a prescrição durante a vigência: I - dos compromissos de cessação ou de desempenho, previsto nos arts. 53 e 58 da Lei 8.884/94 ( defesa da concorrência); II - do termo de compromisso de que trata o § 5ª do art. 11 da Lei 6.385/76, com a redação dada pela  Lei 9.477/97 (mercado de valores mobiliários e atuação punitiva da Comissão de Valores Mobiliários).
O disposto na Lei 9.873/99 não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária (art. 5º).

EXTENSÃO EXCEPCIONAL DO PODER DE POLÍCIA
Com o objetivo de defesa e das instituições democráticas, a CF possibilita a extensão excepcional do poder de polícia, como decorrência da decretação do estado de defesa e do estado se sítio.
No estado de defesa, conforme o art. 136, §1º, I, há possibilidade de restrições aos direitos de reunião, sigilo de correspondência, sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. No estado de sítio, segundo o art. 139, III, IV e V, além dessas, decorrem restrições à liberdade de imprensa, radiofusão e televisão e restrições à inviolabilidade de domicilio.
Araújo Cintra (Motivo e motivação do ato administrativo), os atos praticados nessas circunstancias continuam submetidos ao direito, "o direito da crise": em qualquer circunstancia, os direitos fundamentais devem ser respeitados.
Com efeito, a CF usa o vocábulo " restrições", e não abolição; e prevê a formação de comissão de parlamentares para acompanhar e fiscalizar a execução das medidas (art. 140).  Prevê, ainda, a responsabilização dos executores e agentes pelos ilícitos cometidos (art. 141, caput).
REFERENCIA:
MEDAUAR, Odete: Direito administrativo moderno – 15 ed. - 2011.


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